terça-feira, 20 de setembro de 2011

FICHAMENTO - RITUAL DE INTERAÇÃO: ENSAIOS SOBRE O COMPORTAMENTO face a face (2011)

CAPITULO 1 - Sobre a preservação da fachada. Uma análise dos elementos rituais na interação social.

FICHAMENTO REALIZADO POR TERESA PAULA COSTA


Sobre o autor:

Erving Goffman, doutor em Sociologia e Antropologia pela Universidade de Chicago, tornou-se um dos estudiosos mais citados nas Ciências Sociais e Humanas nas últimas décadas. Dedicou-se especialmente ao estudo da interação social no dia-a-dia, com destaque ao comportamento em lugares públicos.


Argumentação Central:

Em cada encontro social tende-se ao desempenho de atos verbais e não verbais. O padrão destes é chamado de linha. Com ele se expressa opinião sobre a situação e a avaliação sobre si e os participantes do encontro.

A pessoa em interação reivindica para si um valor social através da linha. Isso define o termo fachada.

A fachada expressa uma imagem do eu delineada em termos de atributos sociais aprovados.

O contato com os outros permite a experimentação de uma resposta imediata à fachada. Os sentimentos envolvidos e ligados a ela são variáveis.

A pessoa tem envolvimento com sua própria fachada, tendo sentimentos com a ela. Da mesma maneira terá com a fachada de outros participantes do contato, de forma tão imediata e espontânea quanto faz com a sua. Os sentimentos podem ser de quantidade e direção diferentes.

As regras do grupo e a definição da situação determinam quantos sentimentos se terá pela fachada e como deverão ser distribuídos pelas fachadas envolvidas.

A pessoa pode ter, estar com ou manter a fachada. Isto vai depender da linha que ela assumir e dela apresentar uma imagem de si internamente consistente, sendo apoiada por juízos e evidências comunicadas por outros participantes e confirmada por evidências comunicadas por agências impessoais na situação.

A fachada é localizada difusamente no fluxo de eventos do encontro, tornando-se manifesta quando esses eventos são lidos e interpretados para alcance das avaliações expressas neles.

Um participante com atributos conhecidos ou visíveis pode esperar ser apoiado em uma fachada particular, reconhecendo ser apropriado que isso aconteça. Baseado em alguns atributos conhecidos receberá a responsabilidade de possuir outros atributos. Os coparticipantes não terão consciência do caráter de muitos desses até que seja depreciada sua posse. Nesse momento todos poderão tornar-se conscientes desses atributos e pressupor que ele deliberadamente deu uma falsa impressão de possuí-los.

Os participantes do encontro terão um conjunto de linhas abertas para escolherem, bem como de fachadas, a partir dos atributos e da natureza convencionalizada do encontro.

A preocupação com a fachada enfoca a atenção da pessoa na atividade em curso.

A manutenção da fachada na atividade depende do lugar da pessoa no mundo social.

A situação em curso e o mundo social mais amplo têm relação de interdependência.

A relação com a fachada tem interdependência com a temporalidade: passado, presente e futuro.

A pessoa teme perder a fachada atual devido a possibilidade dos outros não precisarem demonstrar consideração pelos seus sentimentos no futuro.

Um encontro com pessoas com as quais não terá interações futuras libera-a de assumir uma linha “altiva” que o futuro depreciará ou de sofrer humilhações que tornariam interações futuras com elas algo constrangedor para enfrentar.

A pessoa pode estar com a fachada errada. Isto ocorre quando é trazida alguma informação sobre seu valor social que não pode ser integrada com a linha que está sendo mantida para ela.

A pessoa pode estar fora da fachada. Isto ocorre quando ela participa de um contato sem uma linha pronta do tipo esperado para a situação.

A pessoa quando está com a fachada expressa sentimentos de confiança e de convicção, estando firme na linha que está assumindo.

A pessoa quando está com a fachada errada ou fora da fachada, provavelmente, sentirar-se envergonhada e infeliz devido ao que aconteceu com a atividade por sua causa e ao que poderá acontecer com sua reputação enquanto participante. Sente-se mal por sua expectativa de que o encontro apoiasse uma imagem do seu eu que estava emocionalmente ligada e que agora encontra-se ameaçada.

A pessoa quando está com a fachada errada ou fora da fachada percebe no encontro uma falta de apoio apreciativo. Isto pode momentaneamente incapacitá-la enquanto participante da interação devido aos sentimentos que terá e pode ficar com a fachada envergonhada.

A pessoa pode suprimir ou esconder qualquer tendência de ficar com a fachada envergonhada. A esta capacidade é empregado o termo aprumo.

As expressões seguintes significam:

- “perder a fachada” – está com a fachada errada, envergonhada ou fora da fachada.

- “salvar a fachada” – manutenção de uma impressão de que não perdeu a fachada.

- “dar fachada” – quando outra pessoa assume melhor a linha que não se foi capaz de assumir sozinha.

Quando se assume uma imagem do eu expressa através da fachada haverá expectativa de que a pessoa atue de acordo a fachada. Assim ela recebe uma fachada para manter e a responsabilidade pelo fluxo dos eventos para a consistência de sua fachada.

Existem controles expressivos da fachada:

- orgulho – por dever a si mesma

- honra – por dever a unidades sociais mais amplas, recebendo apoio delas.

- dignidade – se relaciona com posturas, com a forma pela qual lida com seu corpo, suas emoções, com as coisas que tem contato físico.

A regra social do respeito próprio e a da consideração combinam-se gerando um efeito de manutenção da fachada particular e a das dos outros pela pessoa.

Acontece um tipo de aceitação mútua de linhas que tem um efeito conservador e uma característica estruturante da interação.

Interação: a pessoa apresenta uma linha inicial → avaliação da situação →ela e as outras construirão respostas a partir dela. Se a pessoa altera a linha → descrédito → confusão nos participantes. Os participantes estão presos a pessoa que inicia.

A manutenção da fachada é uma condição da interação, não é seu objetivo.

“salvar a fachada” } a partir de uma orientação defensiva. Se dá por causa:

(Considerar que pode causas a perda da fachada dos outros.)

da ligação emocional com a imagem do eu expressa.

do seu orgulho ou honra.

do poder exercido sobre os outros.

“salvar a fachada dos outros” } a partir de uma orientação protetora. Se dá por causa:

(Considerar método que não gere a perda da sua fachada.)

da ligação emocional com a imagem deles expressa.

do direito moral de proteção atribuído aos coparticipantes.

da hostilidade que poderá receber se perceberem sua fachada.

Para manutenção da própria fachada, pode-se obrigar-se a ter consideração pala linha assumida pelos outros participantes.

“Preservação da fachada” serve para neutralizar eventos que possam ameaçar a fachada. São ações tomadas para tornar ou manter a fachada consistente.

Aprumo é um tipo de preservação da fachada a partir do controle do constrangimento.

Cada pessoa, subcultura e sociedade parecem ter seu próprio repertório característico de práticas para salvar a fachada. O uso deles está associado às interpretações que se pode ter sobre os atos dos envolvidos no encontro.

Existem três níveis de responsabilidade na ameaça à fachada dos outros por suas ações:

Ação inocente, intencional e involuntária.

Ação com malícia e despeito, intencionada em causar insulto.

Ação ofensiva incidental. Realiza apesar de suas conseqüências.

São três tipos de ameaça que podem ser introduzidos:

- Pelo próprio participante

contra sua fachada e a dos outros

- Pelos outros participantes

Tipos básicos de preservação da fachada:

1) Processo de evitação: evitar ameaças à sua fachada.

- Evitar contatos com probabilidade de ocorrência de ameaças.

- Manter-se longe de atividades inconsistentes com a linha adotada e mantida.

- Suprimir expressão de sentimentos até a descoberta de linhas que os outros estarão dispostos a apoiar para ela.

- Preparar um eu para si mesma que não seja depreciativo.

- Realizar ações para a preservação das fachadas dos outros e definição de situação em que seu respeito próprio não esteja ameaçado. Para isto emprega discrição, engodos, cortesias, ambigüidades cuidadosas, etc.

- Neutralizar atos potencialmente ofensivos, evitando sua ocorrência ou mantendo uma ficção de que nenhuma ameaça à fachada ocorreu. Ocorre neste caso uma não observância cuidadosa a seus próprios atos ou aos dos outros, uma cegueira diplomática.

- Esconder ou ocultar atividades frente à perda de controle das expressões durante um encontro.

2) Processo Corretivo

- Um evento incompatível com os juízos de valor social mantidos é definido como incidente.

- Quando os participantes não conseguem impedir o incidente tentarão corrigir os seus efeitos e restabelecer um estado ritual satisfatório.

- A extensão e a intensidade do esforço coletivo para restabelecer equilíbrio se adpata à persistência e à intensidade da ameaça.

- A fachada é sagrada, mantê-la é uma ordem ritual

- Intercâmbio ameaça a fachada → seqüência de atos em movimento

Corretivo

Restabelecimento do equilíbrio ritual

Unidade concreta básica da atividade social.

- O intercâmbio compõe o processo corretivo, que é composto por quatro fases, caracterizadas por ações: 1. desvio 2. oferta 3. aceitação 4. agradecimento

Evento incidental → erro de conduta → participantes chamam atenção → impõem resolução do evento ameaçador.

Oferta para correção – do ato ofensivo ou de si mesmo.

- Neutralização: Mostrar que é um evento insignificante / um ato intencional / uma piada / um produto inevitável e “compreensível”.

- Atenuar: Mostrar sobre o criador. Que ele estava sob influência/que não era dono de si/ que estava seguindo ordens de outra pessoa/ que não agiu por vontade própria.

- Redefinição: Fornecer compensações aos feridos e punições, penitência e expiação para si/ sugerir ser pessoa renovada/ mostrar que não trata levianamente sentimentos dos outros/ mostrar que está preparado para assumir conseqüências.

Aceitação da oferta de correção → restabelecimento da ordem expressiva e das fachadas apoiadas por essa ordem.

Comunicação de gratidão para os que aceitaram e deram o perdão.

As fases do processo corretivo ofertam modelo do comportamento ritual interpessoal. Este ciclo corretivo é padrão, podendo ser modificado ou sofrendo desvios diversos.

As emoções têm um papel essencial nesses ciclos de respostas, funcionando como jogadas na lógica de um jogo ritual imprescindível para compreendê-las.

Ganhando pontos – o uso agressivo da preservação da fachada

Toda prática que consegue neutralizar uma ameaça particular para salvar fachada → possibilidade de que a ameaça seja introduzida posteriormente como o objetivo de ganhar algo, em segurança, através dela.

Quando uma pessoa trata a preservação da fachada como algo que ela sabe que os outros realizarão ou aceitarão, considerará um encontro como uma arena em que se realiza uma disputa ou partida. O propósito será ganhar pontos para si mesmo.

Malícia é definida como capacidade em realizar “esnobadas” e “afinetadas”. A primeira são pontos ganhos através da alusão a posições de classe social e a segunda à respeitabilidade moral.

Em intercâmbios agressivos o vencedor consegue apresentar informações favoráveis sobre si mesmo e desfavoráveis sobre os outros e demonstrar que, enquanto participante, cuida de si melhor que seus adversários.

A escolha da preservação da fachada apropriada

A pessoa com fachada ameaçada diante de um incidente pode tentar restaurar a ordem ritual através de uma estratégia diferente da prática desejada ou esperada pelos outros participantes.

Uma prática pode não ser empregada por falta de decisão do participante, deixando os outros sem saber que método terão que seguir.

Cooperação na preservação da fachada

Quando uma pessoa percebe que é incapaz de salvar sua própria fachada, os outros se dispõem a protegê-la. Surge uma cooperação tácita em que cada participante preocupa-se, por razões diferentes, em salvar a própria fachada e a dos outros para obtenção de seus objetivos em comum, conjuntamente.

Tipos de cooperação tácita:

- Diplomacia em relação à preservação da fachada: a pessoa defende sua própria fachada e protege a dos outros, e possibilita que os outros preservem às suas próprias e a dela.

- Autonegação recíproca: a pessoa se priva ou se deprecia enquanto favorece e elogia os outros. Os juízos favoráveis sobre si vêm dos outros e os desfavoráveis dela.

Os papéis rituais do eu

Os direitos e deveres de um participante da interação são projetados para impedi-lo de abusar de seu papel de objeto de valor sagrado. Ele pode perdoar participantes por afrontas a sua imagem, não aceitá-las e permitir maus-tratos cometidos por si.

Interação falada

Tendência humana de usar sinais e símbolos.

Não existem ocasiões de fala sem a possibilidade do surgimento de impressões inapropriadas e sem exigência da demonstração de uma preocupação séria de como participante lida consigo e com os outros.

A interação falada, em qualquer sociedade, tem orientação e organização do fluxo de mensagens a partir de um sistema de práticas, convenções e regras de procedimentos. Estes funcionam como guias da ação, tendo relação funcional entre a estrutura do eu e a estrutura da interação falada.

Um conjunto de gestos significativos imputa legitimidade aos participantes. Dá-se um processo de ratificação recíproca.

Estado de fala é quando pessoas ratificadas declaram-se oficialmente abertas umas às outras para propósitos de comunicação falada e juntas garantem manter um fluxo de palavras.

Tendência a manter e legitimar um único foco de pensamento e atenção visual, e um único fluxo de fala, como sendo oficialmente representativo do encontro.

A relação entre o eu e a interação falada também é demonstrada no intercâmbio ritual.

Em encontro conversacional a interação tende a ocorrer em arrancos, um intercâmbio por vez e o fluxo de informações e negócios é parcelado nessas unidades rituais relativamente fechadas.

A pausa entre intercâmbios tende ser maior do que a pausa entre falas num intercâmbio.

Entre dois intercâmbios tende haver uma relação menos significativo de que entre duas falas em seqüência num intercâmbio.

De modo geral uma pessoa determina como deve se comportar durante uma ocasião de conversa testando o significado potencialmente simbólico de seus atos em relação às imagens mantidas do outro.

Atos pessoais imagens do outro

significado simbólico comportamento pessoal

Dessa maneira seu comportamento pessoal se sujeita à ordem expressiva que contribui para o fluxo bem ordenado de mensagens.

É bom que a interação falada tenha a organização convencional que tem para que o fluxo bem ordenado de mensagens faladas seja mantido.

Não afirma que o sistema atual não tenha fraquezas ou desvantagens.

O medo da perda da fachada impede o inicio de contatos em que informações podem ser transmitidas e relações estabelecidas. Pode-se buscar a segurança da solução em vez do perigo dos encontros sociais.

Fachada e relações sociais

Em relações em processo de mudança, o encontro será levado a um desfecho satisfatório sem alteração do curso do desenvolvimento esperado.

Relação social = forma pela qual a pessoa é forçada a confiar sua auto imagem e fachada à diplomacia e boa conduta dos outros.

A natureza da ordem ritual

A ordem ritual parece ser organizada basicamente sobre linhas de acomodação.

Independente da posição social, a pessoa faz um “ajuste” ao se convencer, com o apoio diplomático de seu círculo íntimo de que ela é o que quer ser e que ela não faria, para atingir seus objetivos, o que os outros fizeram para atingir os deles.

A pessoa precisa tomar cuidado com os juízos expressos aos quais ela se coloca numa posição de testemunhar para proteger seu conforto.

A vida social é ordenada.

A pessoa protege, defende e investe seus sentimentos numa idéia de si e idéias não são vulneráveis a fatos e a coisas, mas sim a comunicações.

A natureza humana universal não é coisa muito humana. Regras morais carimbadas na pessoa externamente a tornam uma espécie de construto.

A natureza humana não surge a partir de propensões psíquicas internas.

As sociedades para serem-se, em qualquer lugar, precisam mobilizar seus membros como participantes autoreguladores em encontros sociais. A capacidade geral de ser limitado por regras morais pode pertencer ao indivíduo, mas o conjunto particular de regras que o transforma num ser humano é derivado de requerimentos estabelecidos.

domingo, 11 de setembro de 2011

Questões desenvolvidas pelos alunos relacionadas aos textos:

Interação entre duas pessoas (Michael Argyle)

Behavior Foundation for the process of frame-attunement in face-to-face interaction (Adam Kendon)

> O indivíduo a todo momento decide, consciente ou inconsciente, como se comportar. Isso seria o mesmo de selecionar as informações e de que maneira serão divulgadas no perfil virtual? E quando a adoção de perfil fake de personagens ou indivíduos famosos, acaba por influenciar na atitude desse indivíduo, meio que assumindo a personalidade do personagem (consciente ou inconscientemente)?

> A mudança de um tom de voz, uma postura adotada ou não, pode inundar uma conversa com significados. Que mudanças perceberíamos quando a interação ocorre virtualmente?

> O conjunto de gestos significativos também é empregado para permitir a participação de um indivíduo na conversa oficialmente, ou para se retirar; e para mostrar o estado da conversa... Numa comunidade do orkut, os participantes tem "permissão" de participar de todos os tópicos de conversas; o conjunto de gestos que mostrariam a restrição de participação em determinados tópicos poderia ser representado pela atitude dos membros "pop's" de ignorar os comentários de determinados indivíduos?

> Na nossa sociedade, temos regras e convenções que devemos seguir, quando algum indivíduo (intencionalmente ou não) quebra essas regras, os outros participantes se mobilizam para restaurar a ordem cerimonial. Quando pensamos em comunidades do orkut, que também possuem suas regras e mandamentos, se algum indivíduo tenta quebrar essas convenções, outros participantes tentam restaurar a ordem, podendo optar pela expulsão do indivíduo.

> Goffman (p. 49) afirma: "a natureza humana universal, não é uma coisa muito humana. Ao adquiri-la, a pessoa se torna uma espécie de construto, criada não a partir de propensões psíquicas internas, mas de regras morais que são carimbadas nela externamente. Essas regras, quando seguidas, determinam a avaliação que ela fará sobre si mesma e sobre seus colegas participantes no encontro, a distribuição de seus sentimentos e os tipos de práticas que ela empregará para manter um tipo especificado e obrigatório de equilíbrio ritual". Se a afirmação de Goffman representa de fato uma limitação por regras, ou melhor, como elas operam transformando o ser humano em um derivado de requerimentos estabelecidos numa organização ritual de encontros sociais, então, o que existe sempre é uma ilusão de agenciamento humano?

> Ainda a partir da citação de Goffman, os "sentimentos" também podem ser atribuídos a ordem da "regulação" através das normas morais? Ou seja, também temos aqui uma ilusão de agenciamento dos nossos sentimentos, que acreditamos muitas vezes, serem os mais genuínos?

> Ao ler sobre processo de correção, incompatibilidade de juízos de valor social, lembrei-me da afirmação de Argyle: Quando duas pessoas se encontram pela primeira vez procedem de maneira cautelosa (pg. 245). Essa cautela característica do primeiro encontro pode ser associada como ameaça, exigindo um processo de correção?

> Goffman fala da possibilidade de um indivíduo se engajar em um encontro de conversação tornando-se espontaneamente envolvido. Mas o que podemos entender por engajamento?

> Goffman sustenta que é na situação, na interação entre os interagentes, que se estrutura a experiência individual dos atores. Estes se articulam entre si, por meio de influências recíprocas onde avaliam e julgam o contexto em que elas acontecem para definir a conduta mais adequada a ser tomada. O autor parece não considerar os significados particulares do sujeito nas ditas interações face-a-face. Qual o lugar do "individual" nessas interações?

> Entendo que para que haja o gerenciamento de impressões, deve haver intencionalidade das partes. O sujeito considerado "louco" gerencia impressões na situação de interação social? Pode-se dizer que há interação social com uma pessoa que está alheia a situação?

> Interessante a importância dada às regras que subsidiam as interações sociais e determinam as condições de possibilidade do face-work. Como as TIC's tem incorporado novas regras e acabam dando novas possibilidades para o "jogo", ao mesmo tempo em que
a valorização social das celebridades (sociedade do espetáculo) também podem gerar novas dinâmicas. Colocando numa perspectiva histórica, me parece interessante indagar quais elementos se apresentam com maior poder de influenciar (e transformar) esta "base de regras sociais" que condicionam as interações sociais.

> Considerando a centralidade do indivíduo e a racionalidade hegemônica nas interações sociais contemporâneas, seria possível pensar no face-saving game em outros tipos de interações sociais como aquelas associadas à dádiva (Marcel Mauss)? Quero dizer, como pensar em interações nas quais não são tão evidentes a racionalidade e o cálculo
utilitário?

> Goffman explica que as questões discutidas neste texto aplicam-se a encontros imediatos e mediados, embora deixe claro que durante os contatos pessoais diretos, a importância da fachada torna-se ainda mais evidente. Então, partindo de uma reflexão sobre os encontros mediados, com foco especial naqueles experimentados nos ambientes digitais, questiona-se: qual a importância da fachada, nesse contexto? Os fatores rituais - tão valorizados por Goffman - permanecem importantes para as interações digitais?

> Goffman afirma que as obrigações de envolvimento da interação focada conversacional exigem um equilíbrio de conduta tão delicado que a alienação e desconforto são resultados típicos. Já a interação desfocada não exige as mesmas delicadezas de ajustes, segundo o autor. Transpondo essas questões para as ambiências digitais, poderíamos considerar a atuação de um indivíduo no twitter como uma maneira de interação desfocada? Ou nos ambientes digitais as condutas cerimoniais assumem outras formas, outras etiquetas, diferentes daquelas próprias da interação face a face e consequentemente, outros tipos de controles sociais de interação? Ou ainda: será que as condutas cerimoniais dependeriam também do tipo de ambiência digital a que nos referimos? (twitter, facebook, sites pornográficos, por exemplo)

> Quais as regras de conduta estabelecidas para as interações, que permitem um senso de realidade entre os participantes?

> As regras de conduta são as mesmas tanto para as interações "Face a Face" quanto nos contatos mediados?

> É possível pensar em cooperação nas interações sociais entre organização e indivíduos nas mídias sociais? Há, de fato, diplomacia nestas trocas?

> Quando a face de uma organização é ameaçada, há esforço iniciado pelo indivíduo para que a mesma seja reconstruída?

> De acordo com o exposto nas páginas 343-344, é possível afirmar que os questionamentos acerca dos perfis de jornalistas em mídias sociais estejam baseados nestas obrigações das relações sociais?

> A perceptividade e habilidade social são desenvolvidas ou atrofiadas pelo uso e exploração dos diferentes meios de comunicação? Um meio aparentemente mais interacional como a internet favoreceria essa perceptividade melhor que a televisão?

> Como as interrupções e retiradas que o indivíduos realizam na conversação online diferem da conversação face a face? Aproximando o debate que Goffman traz à noção de Argyle de sequência de interação em torno de "tópico" (Argyle, p.202), será que no Twitter as conversações seriam mais fugidias e abertas quando relacionadas a tópicos, em comparação à conversações relacionadas a questões pessoais?

> O controle da expressividade deve ser sempre valorizado, já que comportamentos mais assertivos tentem a se repetir?

> O processo corretivo pode limitar expressões coadjuvantes ao ritual de equilíbrio?

> Em ambientes digitais de compartilhamento de notícias é muito comum que a interação entre um cibermeio específico e um leitor/usuário seja concretizada a partir da mediação de sistemas inteligentes, como linguagens logarítmicas. Sendo assim, o Face-Work que será desenvolvido a partir do contrato entre o jornalismo e os leitores se concentraria, nestes ambientes, em qual figura? No homem-jornalista, no homem-programador ou no agente inteligente? Ou não mais estaria centrada em um indivíduo, mas sim numa instituição? Dito isso, surge outra questão: se aceitarmos que a legitimidade e a valorização se concentram no conjunto, então, regras sociais deverão ser criadas e mantidas entre os atores dessa instituição, para que, quando externalizadas, se constitua um Face-Work coletivo?



sexta-feira, 9 de setembro de 2011

FICHAMENTO - CONDUCTING INTERACTION – Patterns of behavior in focused encounters (1990)

Chapter VIII - Behavior Foundation for the process of frame-attunement in face-to-face interaction

FICHAMENTO REALIZADO POR MATEUS SANTANA

Sobre o autor:

Adam Kendon – É uma das autoridades sobre o estudo do gesto, e como a linguagem gestual e de sinais se relacionam com a linguagem falada. Estudou Biologia e Psicologia Experimental nas universidades de Cambridge e Oxford. E nesse seu livro ele disponibiliza alguns estudos clássicos sobre a organização do comportamento em interação face-a-face.

Objetivos do capítulo:

Diante das diversas perspectivas interpretativas este capítulo visa discutir a sintonia do enquadramento (frame-attunemente) na interação face-a-face. Como é estabelecido e como uma interação coerente acontece.

Argumentação Central:

No presente capítulo Adam Kendon fala sobre a sintonia necessária para uma interaç­­­ão face-a-face e através de Garfinkel (1963) e Goffman (1955, 1957, 1961, 1963, 1974) ele propõe a discussão de que numa interação social coerente é necessário que os participantes compartilhem de um número de pressupostos básicos, incluindo a hipótese de que esses pressupostos são compartilhados. Kendon cita Goffman, ainda, ao falar da “interação focada” – quando dois ou mais indivíduos se unem abertamente para sustentar um único foco de interesse comum.

O autor busca discutir como este quadro compartilhado (shared frame), esta perspectiva interpretativa comum, vem a ser estabelecido. E questiona como é feito para que uma interação coerente aconteça. Os interatores precisam concordar em como essas expectativas constitutivas serão aplicadas para tentar garantir que a ação realizada por um dos interatores seja interpretada pelo outro da forma como foi pretendida. Ele afirma, nesse caso, haver uma relação de “confiança” no processo.

Uma das soluções apontadas é a rotinização de situações e eventos interacionais, situações estas que, de certa forma, podem ser classificadas em tipos, e regras de conduta apropriadas para cada um desses tipos são estabelecidas antecipadamente. Dessa forma, a variedade de quadros interpretativos possíveis de um interator pode ser reduzida.

Mas ainda há um campo de incertezas, principalmente quando o participante entra para um encontro real. Em um simples fato de saudar uma pessoa, como é possível saber que a saudação será recebida da forma pretendida? Manter-se como participante de uma interação focada propõe aos participantes uma perspectiva comum de relevância.

A partir da metáfora da faixa de atenção de Goffman, Kendon aborda a atenção diferenciada que é dada, por cada um dos participantes, para os aspectos da interação e como em qualquer encontro social há sempre um aspecto que avança, que é tratado como parte do enredo principal (main-line ou story-line track). Alguns modos da organização comportamental são quase que automaticamente designados ao status de faixa principal (main track), a vocalização nesse aspecto assume o primeiro lugar na hierarquia das atenções.

O autor fala ainda, sobre a comunicação da atenção exemplificando como indivíduos se comportam na busca de atenção para iniciar uma interação focada, os interatores usam de arranjos, posicionamentos orientados espacialmente, para comunicar que estão preparados para a atividade de interação. Neste caso, a posição espacial de um indivíduo pode fornecer informações sobre a sua estrutura interpretativa ou domínio da atenção.

Ele se organiza em relação às características ambientais adequadas, temos como exemplo o ato de ver TV: o individuo prepara um ambiente específico, respeitando uma distância mínima entre a TV, escolhendo o local onde permanecerá e/ou trazendo o controle remoto para perto de si. É possível, ainda, através dos arranjos de formação verificar como dois os mais indivíduos são capazes de fornecer informações sobre a relevância de cada um para o outro.

Kendon conclui afirmando que a interação humana é constituída sobre promessas e concorda com Peter Wilson (1980) que a espécie humana é a mais generalizada de todos os primatas, as formas de suas relações são as menos especificadas com antecedência. O autor no decorrer do capitulo mostra as várias características do comportamento observável, aborda a correlação dos gestos com a narrativa dos falantes no contexto da interação face-a-face, como forma de fornecer, previamente, informações necessárias para qualquer pessoa que se propõe a interagir com outra.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

FICHAMENTO - A INTERAÇÃO SOCIAL - Relações Interpessoais e Comportamento Social

Capítulo V - Interação entre duas pessoas

FICHAMENTO REALIZADO POR ANA TERSE SOARES

Sobre o autor:

Michael Argyle - morreu em 2002 aos 77 anos e é um dos mais conhecidos psicólogos sociais do século XX. Passou a maior parte da sua carreira na Universidade de Oxford. É um dos poucos psicólogos britânicos que ganharam uma reputação internacional, foi pioneiro no estudo científico do comportamento social.

Objetivos do capítulo:

Partindo da necessidade de modelos conceituais, o capítulo preocupa-se em detalhar sequências de interações que ocorrem em díades (entre duas pessoas).

Argumentação Central:

Introdução a métodos

> Conceitos e Modelos

Para Argyle, cada pessoa vem para o encontro como um resultado de motivações que podem ser satisfeitas por acontecimentos no encontro. Embora os interatores percebam o comportamento do outro, principalmente através dos canais auditivo e visual, se encontram numa situação de classe limitada, definida pela cultura - onde existem regras definidas e relações de papéis prescritas entre eles programando com antecedência, em parte, o seu comportamento.

Uma abordagem inicial à questão pode ser qualificada como modelo S-R (Sequências de Respostas). A interação é apresentada como uma série de respostas alternadas entre os interatores e pode ser vista como um processo casual - considera-se aqui tanto respostas verbais e não verbais e a relação entre elas.

Argyle chama atenção para dois tipos de sequências de interesse específico: o efeito do reforço e o fenômeno da imitação e da reciprocidade.

Uma segunda abordagem é a consideração de um padrão de comportamento emitido por interator, como um todo: tendo o modelo de habilidade social, que qualifica a interação social como uma habilidade motora em série, pautados em certos processos cognitivos.

Apontando que não é possível fornecer uma avaliação completa da interação considerando apenas uma pessoa de cada vez, ressalta que o modelo conceitual utilizado é o de um sistema em equilíbrio, onde para a interação ocorrer, deve existir um certo grau de coordenação e entrosamento entre os interatores, que poderá evoluir à um padrão estável de interação onde o caráter desse padrão, constituirá relação entre elas.

A despeito da contribuição desses modelos e do próprio esquema conceitual tomado como referência, Argyle ressalta que esse esforço teórico não é completo suficiente para qualificar e descrever o desenvolvimento detalhado de uma longa sequência de interação, por exemplo.


> Métodos de Pesquisa

Ressalta que alguns problemas gerais relacionados aos métodos de pesquisa são discutidos em capítulos anteriores e que neste capítulo V, estará preocupado com o problema específico da pesquisa com díades, apontando alguns caminhos e algumas implicações a partir de cada método:

1) Análise estatística de sequências de interação normal: análise de conteúdos verbais e paralinguísticos dos primeiros cinco minutos de entrevistas de psicoterapias.

2) Técnicas experimentais usando a interação real na qual um dos interatores é um cúmplice: uma pessoa simulando ou "forçando" certas situações ao longo da interação, o que para Argyle, é um processo limitado na medida em que este procedimento não permite as ocorrências de interação genuínas.

3) Técnicas experimentais usando a interação real e dos sujeitos: a partir de interações genuínas.

4) Técnicas que eliminam a interação: criticadas inicialmente.

5) Métodos projetivos: usados mas com algumas limitações também.

Sequências de Respostas

Uma maneira inicial para entender a interação é concebido pelo autor como uma cadeia de respostas, cada interator reagindo ao ato social mais recente do outro, o que leva ao estudo de sequências empíricas simples de atos sociais.

Argyle considera o modelo S-R, com um grau considerável de adequabilidade, no sentido de se prever "próximos atos" se conhecemos atos anteriores. Em teoria, aponta que dessa forma seria possível programar um computador para uma simulação de interação social, mas considera a percepção do indivíduo um elemento fundamental neste processo.

Para Argyle, a partir do conteúdo verbal de enunciados, é possível destacar algumas sequências regulares, como as relacionadas aos tópicos, tipos de enunciados e duração da fala.

Sobre o estudo de S-R a partir de elementos não-verbais, o autor destaca que vários estudiosos apontam que existe uma espécie de "dança de gestos" entre interatores - no sentido de resposta contínua aos movimentos corporais uns dos outros. Destaca a obra de Condon e Ogston (1966/1967) sobre a "sincronia interacional entre falante e ouvinte" e a pesquisa de Kendon (1968), que distinguiu as seguintes sequências: (1) refletir os movimentos como num espelho, (2) comportamento de escuta, (3) movimento análogo de fala. Argyle também considera sequências de S-R onde um R é verbal e outro não.

Sustentando a acepção de que o modelo S-R precisa ser desenvolvido, o autor destaca que a principal contribuição ao modelo é a motivação de cada interator que leva a que ele não responda apenas ao outro, mas inicie, ele próprio, uma série de atos sociais integrados.


> Encaixe de Respostas: Imitação e Reciprocidade

Para o autor, ao longo da interação social, é comum que um ato de "A" seja seguido por um outro ato semelhante de "B", o que ele qualifica como 'encaixe de respostas', neste sentido, apresenta algumas das principais formas de ocorrência do encaixe de respostas:

- Extensão de enunciados: se "A" utiliza longos enunciados, "B" também utilizará. O que vale também pra pequenos enunciados.

- Interrupções e Silêncios: descobriu-se que se "A" utiliza pausas ou interrupções nos seus enunciados, é muito provável que "B" também tenha o mesmo comportamento.

- Tipo de enunciados: enunciados que levam a enunciados semelhantes, piadas levam a piadas, por exemplo.

- Palavras usadas: descobriu-se que havia uma correlação positiva entre o uso de palavras entre dois interatores.

- Gestos e postura: descobriu-se que interatores frequentemente envolvidos adotam posturas congruentes e que esse tipo de comportamento é mais comum quando duas pessoas têm uma atitude favorável recíproca.

- Informação: identificou-se que se um interator está programado para revelar mais sobre si, a outra pessoa fará o mesmo.

- Outras áreas: para o autor, é muito provável que ocorra um 'encaixe de respostas' semelhantes em relação ao estado emocional (contágio emocional).

Para o autor, dois processos distintos podem ser responsáveis pelo 'encaixe de respostas': imitação e reciprocidade.

A imitação, é geralmente utilizada em referência à situação na qual "A" copia alguma resposta de "B". Argyle aponta que muitos estudos sobre imitação mostraram que ela ocorre em determinadas condições específicas:

a) quando o imitador é recompensador por esse comportamento;

b) se ele é recompensado pelo modelo;

c) se o modelo tem grande poder ou status;

d) se percebe que o modelo foi recompensado pelo comportamento em questão;

e) se o imitador é semelhante ao modelo;

f) se não há outros guias claros para o comportamento do imitador.

Adicionalmente, é ressaltado pelo autor que processos cognitivos mais complexos podem interferir na resposta de imitação relativamente elementar.

Sobre a reciprocidade, afirma que foi observada primeiramente pela antropologia como uma característica da vida em sociedades primitivas: se "A" faz algo para "B", "B" geralmente responde pelo desempenho de algum ato equivalente para "A".

A partir de Sahlins (1965) distingue três graus de reciprocidade: (1) reciprocidade generalizada (altruísta), (2) reciprocidade equilibrada ou econômica e (3) reciprocidade negativa - cada um tenta receber mais do que dá. Afirma ainda que, os graus de reciprocidade dependem do grau de intimidade entre os interatores.

Sobre as condições sob as quais é mais provável que a reciprocidade ocorra, destaca:

a) intimidade de relação;

b) status relativo; e

c) espontaneidade de cada ato.

Sobre qual seria a explicação para a reciprocidade, Argyle afirma, a partir de Gouldner (1960), que há uma norma social que exige reciprocidade; uma segunda linha de explicação é em termos das futuras recompensas que cada participante espera receber do outro. Mas, sendo assim, como poderia explicar a reciprocidade altruísta? Afirma que pode ser consequência de norma de reciprocidade, mas envolve um grau adicional de generosidade e espontaneidade.

> Os efeitos do reforço

Para o autor, uma das sequências mais estudadas durante a interação é o efeito de "A" recompensar ou punir algum aspecto do comportamento de "B", o que contribuiu para o avanço dos estudos associados aos efeitos de reforço. Argyle aponta ainda que, experiências conduzidas em condições naturais, geralmente com reforçadores não-verbais, podem ser casos de condicionamento operante.

Adicionalmente, aponta que uma característica importante da resposta de "reforço" é a extensão em que ela encoraja a fala posterior. Ressalta que o estudo a partir de algumas experiências, revelam ainda que, o reforçador usado, o status e a personalidade dos sujeitos, são elementos fundamentais para identificar as condições sob as quais essa forma de influência é maior. Argyle conclui que o condicionamento operante do comportamento verbal (e provavelmente de outros tipos também), pode ser decisivo de influência em díades.


Análise do comportamento de um Interator


> O modelo de habilidade social

Ao fim do tópico sobre modelos S-R, Argyle afirma que ela é inaquedada para a análise das interações pela necessidade de levar em conta a sequência relacionada e intencional de respostas sociais emitidas por cada ator. Dessa forma, apresentará o modelo de habilidade motora (desenvolvida por Argyle e Kendon, 1967), onde sugere que um indivíduo comprometido na interação está envolvido num desempenho que exige certas habilidades, onde os objetivos de interação estão relacionados porém, com motivações mais básicas no ator. O que Argyle ressalta é que, as pessoas querem que as outras respondam de maneira associativa, submissa ou dominante, segundo sua própria estrutura motivacional.

Partindo de que as experiências sobre "condicionamento verbal operante" podem ser qualificadas a partir dos efeitos de feedback, o autor apresenta o modelo como ponto de partida a partir de dois sentidos principais:

1) acolhendo os processos cognitivos específicos durante as interações (como 'colocar-se no papel do outro');

2) considerando que outros interatores estão jogando o mesmo jogo, e que deve existir uma sequência de respostas para que a interação social se estabeleça.

Dessa forma, inclui dentro do modelo de habilidade, afirmando que um dos objetivos da interação é a auto-apresentação, ou seja, criar certas impressões para os outros.

DÍADES COMO SISTEMAS SOCIAS

> A teoria dos jogos e os modelos de díades

Retornando aos modelos de interação que se estabelecem numa díade, Argyle afirma que, muitas investigações se esforçaram em construir modelos teóricos do ativo de trocas recompensa-custo em díades, incorporando experiências em termos de jogos. O que alguns autores fizeram então, foi favorecer representações de situações sociais onde o comportamento resultante é previsível. Neste sentido, grande parte das pesquisas foi gerada pela abordagem da teoria da troca, que segundo ele, acrescenta uma contribuição substancial para os estudos sobre interação:

1) desenvolvimento de cooperação e confiança;

2) estratégias interpessoais;

3) troca de recompensas levando à influência.

A despeito da contribuição teórica para o campo, Argyle afirma que o modelo conceitual da teoria da troca também não se adequa ao fenômeno da interação social, aponta que a avaliação de tipos de interação feita pela teoria foram incompletas e enganosas.

> Processos de equilíbrio em díades

Em alguns dos jogos experimentais discutidos ao longo do conteúdo, verificou-se que em díades existia um padrão estável de comportamento satisfatório para ambos e considerando o crescimento dessas relações cooperativas, Argyle enumerou algumas maneiras pelas quais a coordenação parece ser necessária para que a interação seja possível:

a) o conteúdo da interação;

b) dimensões de relações;

- relação de papéis

- intimidade

- intimidade

- dominação

c) duração da fala;

d) sequência de comportamento

e) correspondência não-verbal;

f) tom emocional;

FORMANDO A RELAÇÃO

> O primeiro encontro e o desenvolvimento das relações

Utilizando um exemplo americano de quando duas pessoas se encontram pela primeira vez, Argyle apresenta alguns elementos que constituem os encontros iniciais, que podem evoluir para relações sociais de vários graus de intimidade e tipos diferentes.

Sobre os determinantes de amizade, afirma que geralmente exige mais que uma troca de recompensas através da interação, assim, duas pessoas gostarão uma da outra se a interação entre elas for recompensadora: a satisfação de impulsos sociais durante a interação e a existência de uma relação muito mais cooperativa que conflitiva.

> Frequência de interação

A proximidade física, criando uma frequência constante de interação, leva à polarização de atitudes interpessoais, e é mais provável que elas se tornem favoráveis do que desfavoráveis. O efeito da proximidade é maior quando várias pessoas se reúnem pela primeira vez, e na história inicial de um grupo, segundo o autor.


> Similaridade

Alguns estudos sobre amigos, identificaram a similaridade entre suas atitudes, personalidades e características demográficas, embora o efeito da similaridade de traços de personalidade e da motivação, na escolha sociométrica seja menos direta.

Para Argyle, a similaridade leva à amizade se duas pessoas possuem interesses e situação de vida semelhantes e estão numa relação de forma cooperativa. Ressalta ainda, que a amizade não é o único tipo de relação positiva possível entre duas pessoas e utiliza o casamento também como exemplo.